17 de fevereiro de 2017

História da Moda: Théâtre de La Mode


Quando a Segunda Guerra Mundial estourou, as 70 casas de alta costura registradas que existiam em Paris viram seus serviços serem interrompidos por causa da ocupação alemã e a escassez de materiais e mão-de-obra.

Hitler tinha planos de levar o centro de alta costura presente em Paris, na França, para Berlim e Viena, na Alemanha. Só não conseguiu porque Lucien Lelong, presidente da Câmara Sindical da Costura Parisiense (Chambre Syndicale de la Couture Parisien) disse que ou esses serviços continuariam existindo em Paris ou não existiriam em mais nenhum lugar. Várias Maisons fecharam suas portas durante a época da guerra.

Quando os conflitos acabaram, já era 1945. Mas toda guerra deixa um rastro de consequências nada boas. Na França, cinco milhões de pessoas estavam na miséria, vivendo com racionamentos. Foi para ajudar essas pessoas que Robert Ricci, filho da estilista Nina Ricci, juntou-se com o a Câmara Sindical da Costura Parisiense para criar um evento de grande porte, que teria a renda dos ingressos revertidas para às pessoas necessitadas. Outro objetivo era restabelecer a alta costura na França. Foi assim que, em 28 de março de 1945, houve a primeira apresentação da exposição “Le Théâtre de La Mode” (O Teatro da Moda), organizada no Museu do Louvre. O evento foi apoiado pelos mais importantes estilistas franceses membros do Sindicato da época: entre eles a própria Nina Ricci, Balenciaga, Lavin, Balmain, Dior, Givenchy e Hermès, além de joalheiros como Cartier. 

Na exposição, bonecas feitas de arame com altura de 70cm e cabeça feita com gesso ostentavam as criações dos grandes estilistas de luxo, que puderam usar menos tecidos em suas confecções – ainda escassos nesse momento pós guerra - do que se produzissem para modelos humanos. A criação das bonecas ficou por conta de Eliane Bonabel. Os looks eram completos, com roupas íntimas, arrebatados com acessórios. Os acabamentos eram destaque: tão incríveis como os feitos para as clientes mais ricas, em tamanhos normais. 


As roupas vinham acompanhadas de cenários que iam desde casas de óperas ou bailes, passando pelas ruas de Paris, até cenas cotidianas, criadas sob direção artística de Christian Bérard. Cada Maison foi responsável por até cinco looks. A exposição percorreu inicialmente a Europa, até que um funcionário do governo francês mandou uma carta ao embaixador da França na Grã-Bretanha dizendo que "A França tem pouco, infelizmente, para exportar, mas tem o seu apreço pelas coisas bonitas e a habilidade de suas casas de alta costura", o que abriu portas para a exposição no exterior. Para a temporada de 1946, foram feitas novas roupas, que foram exibidas em Nova York e São Francisco, nos Estados Unidos. Na Inglaterra, teve exibição privada para a Rainha Elizabeth. 


Hoje, parte considerável da exposição faz parte das coleções permanentes do Maryhill Museum of Art no Estado de Washington, nos Estados Unidos.

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