Mostrando postagens com marcador Texto dos outros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Texto dos outros. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de março de 2017

Um poema de Hilda Hist

 
O que nós vemos das coisas são as coisas.
(Fernando Pessoa)

 As coisas não existem.
O que existe é a ideia
melancólica e suave
que fazemos das coisas.

A mesa de escrever é feita de amor
e de submissão.
No entanto
ninguém a vê
como eu a vejo.
Para os homens
é feita de madeira
e coberta de tinta.
Para mim também
mas a madeira
somente lhe protege o interior
e o interior é humano.

Os livros são criaturas.
Cada página um ano de vida,
cada leitura um pouco de alegria
e esta alegria
é igual ao consolo dos homens
quando permanecemos inquietos
em resposta às suas inquietudes.

As coisas não existem.
A ideia, sim.

A ideia é infinita
igual ao sonho das crianças.
(Hilda Hist)

domingo, 4 de dezembro de 2016

Quem escreve as bulas? - por Mario Prata

"Quando me perguntam a profissão e eu digo que sou escritor, logo vem outra em cima: de que? De tudo, minha senhora. De tudo, menos de bula. Romance, cinema, teatro, televisão, poesia, ensaios, tudo-tudo, menos bula! 

Uma vez, num barzinho uma gatinha me perguntou o que eu escrevia e disse que escrevia bula. Ela não deu a menor atenção para mim. Se dissesse que era cronista do Estadão talvez tivesse mais sucesso. Por que o preconceito contras as geniais bulas? Quando é bula papal todo mundo leva a sério, mesmo que seja para dizer que não se pode fazer amor sem a intenção da procriação (que palavra mais animal!) 

Não que eu não aprecie as bulas. Pelo contrário. Adoro lê-las. E com atenção. E, sempre, depois de ler uma, já começo a sentir todas as 'reações adversas'. 

Admiro, invejo esse colega que escreve bulas. Fico imaginando a cara dele, como deve ser a sua casa.

Que papo tal escrivão deve levar com a mulher e com os vizinhos?

Tal remédio 'é contra-indicado a pacientes sensíveis às benzodiazepinas e em pacientes portadores de miastenia gravis'. Dá vontade de telefonar para o autor e perguntar como é que eu vou saber se sou sensível e portador? Quanto ele ganha por bula? Será que ele leva os obrigatórios dez por cento de direitos autorais? Merecem, são gênios. 

Jamais, numa peça de teatro, num roteiro de um filme ou mesmo numa simples crônica conseguiria a concisão seguinte: 'é apresentado sob forma de uma solução isotônica (que lindo!) de cloreto de sódio, que não altera a fisiologia das células da mucosa nasal, em associação com cloreto de benzalcônio'. Sabe o que é? O velho e inocente Rinosoro. 

Vejam o texto seguinte e sintam na narrativa como o autor é sádico: 'você poderá ter sonolência, fadiga transitória, sensação de inquietação, aumento de apetite, confusão acompanhada de desorientação e alucinações, estado de ansiedade, agitação, distúrbios do sono, mania, hipomania, agressividade, déficit de memória, bocejos, despersonalização, insônia, pesadelos, agravamento da depressão e concentração deficiente. Vertigens, delírios, tremores, distúrbios da fala, convulsões e ataxia'. Pronto, tenho que ir ao dicionário ver o que é ataxia: 'incapacidade de coordenação dos movimentos musculares voluntários e que pode fazer parte do quadro clínico de numerosas doenças do sistema nervoso'. Já sentindo tudo descrito acima. 

Quem mandou ler? 

E quem tem úlcera pélvica não pode tomar remédio nenhum. Está condenado à morte? Toda bula odeia essa tal de úlcera pélvica. As demais úlceras entram como coadjuvantes nos textos dos autores buláticos (tem a palavra no Aurélio). 

E as gestantes (é como os buláticos chamam a grávida)? Elas não podem tomar nenhum remédio. Os nobres coleguinhas protegem a gravidez. 

E se você tem 'intolerância conhecida aos derivados pirazolônicos', te cuida, irmão. Deve dar em gente nascida em Pirassanunga e região. 

Para todo remédio uma bula diferente, um estilo próprio, um jeito de colocar a vírgula diferente.

Tudo isso para dizer que outro dia, na cama, com a parceira amada, pego uma camisinha na mesinha e abro. Sabe o quer estava escrito lá dentro? 'Parabéns! Você adquiriu o mais avançado e seguro preservativo do mercado brasileiro'. Era uma bula. Escrita por algum conhecedor, é claro, dentro da caixinha da camisinha. Claro que me entusiasmei e segui a leitura deixando a amada de lado. Broxei, é claro. Mas, em compensação, fiquei sabendo que 'o agente espermicida nonoxinol (essa não tem no Aurélio) 9 (logo o 9?) é contra as DSTs'. 

Depois dessa informação, aí sim, voltei para a alcova. Mas e a amada, onde estava? 

E lembre-se sempre: todo medicamento deve ser mantido fora do alcance das crianças. E não tome remédio sem o conhecimento do seu médico. Pode ser perigoso para a sua saúde. 

E pra cabeça! 

Agora, falando sério. Admiro os escritores de bula. Assim como invejo os poetas. Talvez por nunca ter sido convidado (nem teria experiência) para escrever uma e nunca tenha conseguido escrever um poema. Sempre gostei de escrever as linhas até o final do parágrafo. 

Para mim o poeta é um talentoso preguiçoso. Nunca chega ao final da linha. Já repararam?

Já o bulático, esse sim, é um esforçado poeta!"

domingo, 12 de junho de 2016

Uma questão crítica, por Eduardo Motta
















Acho muito importante discutir a crítica de moda brasileira que é praticamente inexistente. A maior parte das revistas de moda acabam vendendo matérias ou falando bem de determinada coleção apenas para não perder patrocinadores. Essa, inclusive, foi a análise feita no meu TCC de jornalismo, sobre a publicidade em textos ditos jornalísticos.
Nem toda coleção é boa e digna de elogios (assim como em outras áreas, como livros e filmes), então, por qual motivo nós só vemos elogios para a moda de passarela por aí? Trouxe hoje uma excelente reflexão, feita por Eduardo Motta, no livro "O lugar maldito da aparência" (Editora Estação das Letras e Cores):

Uma questão crítica
"Para uma área que ocupa um papel central na cultura contemporânea e na qual as ações requerem a tomada rápida de um número elevado de decisões, a moda é espantosamente falha em cultivar um aparato crítico em torno dela, preferindo optar pelo texto afirmativo (de caráter publicitário ou descritivo) que amadurecer, submetida à opinião externa.

Há casos notórios nos quais quem se arriscou a criticar uma coleção perdeu o assento no próximo desfile da marca. Não se engane pela aparência inofensiva. Na moda, identificar falhas na proposta de uma coleção, analisando comparativamente os resultados e eventualmente concluindo que alguma coisa não foi bem (ainda que de forma isenta e objetiva como a boa crítica deve ser), pode transformar-se em uma atividade cheia de perigos.

As razões que levam a moda a evitar a crítica como se estivesse diante de uma arma configuram um assunto, mas não é um mistério. A contradição aumenta se considerarmos que muitos de nós, seus agentes, exercitamos com frequência a arte do comentário afiado em situações reservadas. Esta prática privada não configura necessariamente uma crítica, mas seria possível pensar nela como uma espécie de treinamento.

Se os candidatos a exercer a crítica temem represálias, as marcas, por sua vez, receiam que uma opinião negativa possa abalar o prestígio que desfrutam e prejudicar as vendas. O círculo de proteção fecha-se. Neste ponto a moda retrocede nas suas pretensões como atividade criativa, endurece o jogo e inviabiliza uma prática comum nas artes visuais, na literatura ou no cinema, empacando na condição de atividade estritamente comercial, da qual, reiteradamente, tenta afastar-se. Isso acontece quando é conveniente ampliar o valor cultural da marca, estratégia que tem contrapartida no valor econômico, mas a deixa mais exposta. Neste caso, não ajuda o conhecimento de que os filmes de grande bilheteria são geralmente os mais castigados pela crítica e raramente alguém deixa de ver uma exposição e ler um livro porque receberam críticas ruins. É como se nunca houvesse sido observado e dito que, se há algo que pavimenta a presença de uma proposta de pretensão autoral em qualquer área, é justamente a troca franca entre a criação e a análise crítica.

http://www.estacaoletras.com.br/livros/livro67.php

Uma crítica de moda, se houvesse, faria pouco ou nenhum sentido se dirigida à moda genérica e produzida em grande escala. Em tese, ela estaria direcionada àqueles criadores que tem uma proposta particular, diferente das demais e que, também em tese, estariam interessados na discussão sobre alcance e limites do seu recorte singular.

Marcas que produzem para um gosto amplo, cuja habilidade principal consiste em detectar e aprisionar no produto qualidades já assentadas no gosto comum, não se enquadrariam como objeto de atenção. A marca autoral supostamente define o campo em que atua. Na medida em que ela põe em jogo questões que estão além do ordinário é que entra na mira do interesse crítico. O mesmo princípio vale para o criador ou marca que já apresentou algo de significativo anteriormente. Em ambos os casos, seja pela originalidade ou pelo peso das realizações, o ponto de partida já pressupõe algum nível de complexidade e qualidade. É só neste patamar que faz sentido falar em crítica.

A moda autoral é como uma tomada de posição, não está destinada a agradar a todos. Quem faz, supostamente, está ciente dos limites do que fez, conhece os biótipos que se encaixam, as subculturas relacionadas ao seu gosto, entre outros fatores. Nestes casos, a opinião negativa de uns geralmente funciona como reforço para o apreço de outros, consolidando a fidelidade dos adeptos de longa data e atraindo novos, em função da clareza de propósitos.

Se a marca arrisca-se a mudar de direcionamento para ampliar vendas, por exemplo, ou envereda por experimentações estilísticas fora do usual, é bem provável que neste momento a crítica identifique a guinada, aponte e avalie. Eventualmente isso pode acelerar uma alteração do status anterior. Para que este texto seja honesto, é preciso dizer que nestes casos uma crítica pode causar estragos. Mas esta possibilidade (a de que algo venha a ser afetado por opiniões) existe sempre e é parte inseparável da condição de toda coisa pública. Sejam quais forem os riscos, objetivamente, é mais produtivo ouvir o que outros tem a dizer do que fechar as portas ao diálogo.

Opto pela afirmação: o número de pessoas que deixaria de comprar um item de moda em função de uma crítica ruim é irrelevante, perto daquele que compraria a moda como ideia, ingressando no círculo de consumo dela, a partir da interação esclarecida com suas práticas e propostas. Coibir a crítica assemelha-se muito a evitar o esclarecimento do público, algo semelhante ao que é levado a cabo pelos regimes autoritários, que optam por não oferecer educação, temendo que os educados amadureçam e enxerguem a fragilidade dos pilares que os mantém onde estão. Outra analogia possível é com o despreparo emocional para ouvir o que não gosta. Neste caso, a moda comportaria como uma criança mimada ou um adulto que se recusa a crescer.

De fato, a falta de uma crítica (condição que em dado momento funcionou como um anteparo de proteção para o seu desenvolvimento) é hoje o calcanhar de Aquiles da moda, impedindo-a de amadurecer como atividade e evoluir como forma de expressão".

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Reverência ao destino

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.

Autor: desconhecido (não é de Carlos Drummond de Andrade, vale lembrar)

sábado, 30 de novembro de 2013

Parada Cardíaca, por Paulo Leminski

Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Tudo que eu precisava ler hoje...

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo  e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".
 Fernando Teixeira de Andrade

____

Obrigada Pamzitcha por me mandar isso hoje. Tem dias que a gente precisa ler algo que nos dê esperança de dias melhores e que nos impulsione a agir.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Falando em aborto...

Muitas pessoas ficaram chocadas com a aprovação do Estatuto do Nascituro na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, no dia 5 desse mês. Razões é o que não faltam, afinal, a mulher seria obrigada a dar a luz para uma criança gerada a partir de um estupro. O estuprador seria, inclusive, reconhecido como pai da criança e deveria pagar pensão (juro que o mais absurdo nisso pra mim é o fato de ele ter que manter contato com a vítima). Quando o dito cujo não for localizado, o Estado daria um salário mínimo até que a criança atinja a maioridade. E o psicológico de ambas as partes (mãe e criança) tanto faz. Na verdade, o direito de escolha que a mulher deveria ter também tanto faz. E a saude dela, então? Pois é, tanto faz. É ridículo demais!

Eu sou a favor da discriminalização do aborto de um feto com até 12 semanas. Sou a favor da mulher poder escolher se quer ter um filho, com quem quer ter um filho e em que momento terá condições psicológicas e financeiras para criar, com amor, essa criança. Como disse Clara Averbuck nesse post, de onde eu tirei o vídeo que coloco aqui, "ninguém CURTE aborto. Ninguém acorda um dia, se espreguiça e fala 'oh, acho que vou fazer um abortinho'. E as mulheres NÃO DEIXAM de fazer aborto porque ele é ilegal. Mas apenas as que têm condições conseguem pagar por uma clínica de qualidade. As que não têm, bom, elas enfiam agulhas de tricô em seus úteros e procuram carniceiros e, quando não ficam com seqüelas, morrem de infecção. O número de abortos não vai disparar se a prática for legalizada até a 12ª semana, como sugere o conselho federal de medicina. Mas o número de mulheres mortas por tentar fazer abortos em condições insalubres certamente vai despencar. Antes do discurso 'a favor da vida', pensem na vida de quem vocês são a favor: de uma mulher adulta e consciente de que não pode, não deve, ou simplesmente não quer (então também não deve) ter um filho, ou na de umas poucas células sem consciência? E depois que essas células virarem bebês com mães sem condições psicológicas/financeiras para criá-los, quem é que vai cuidar dessa vida? Vocês? A igreja?" 

Só acho que tanto esse projeto de lei quanto o aborto no Brasil devem ser repensados... segue então o vídeo com dados sobre essa prática no Brasil:


* lembrando que agora a proposta do Estatuto do Nascituro segue para a Comissão de Constituição e Justiça.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Navegar é Preciso, de Fernando Pessoa

Poucos poemas/poesias me fizeram parar para ler e refletir em cima. Nunca gostei muito dessa coisa toda. Talvez porque eu associe, por pura ignorância, esse tipo de texto com um punhado de romantismo e nada a mais. Aí que esses dias decidi ler um pouco de Fernando Pessoa. E conheci a poesia "Navegar é preciso". Os primeiros versos já me intrigaram e me fizeram pensar. Digitei no Google; percebi que eu não fui a única que ficou presa nesses versos por uns instantes. Entendi melhor. Li o resto do poema e me identifiquei muito com ele. Reflete um pouco do que estou pensando agora, dessa sede de mudança, de ser útil, enfim. Eu poderia escrever muito mais coisas sobre, mas preciso estudar para a prova de inglês, então, deixo aqui o texto inteiro:  

Navegar é Preciso, Fernando Pessoa 
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: 
"Navegar é preciso; viver não é preciso". 

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou: 

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo. 

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso. 

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade. 

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Relacionamentos, por Arnaldo Jabor

Ando distante desse blog. Mas passei para postar um texto que fala sobre relacionamentos, escrito pelo Arnaldo Jabor. Tô passando por dias dificeis, chatos, tensos, de autro-crítica, de criticar os outros. Então, as vezes refletir em cima de palavras dos outros em vez de escrever nossas próprias palavras faz-se conveniente:

"Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah, terminei o namoro.
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo.
- Cinco anos. Que pena, acabou.
- É, não deu certo...
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores. 
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele. Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona. Acho que o beijo é importante. E se o beijo bate, se joga. Se não bate, mais um Martini, por favor, e vá dar uma volta.

Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar. Ou não. 
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa realmente gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob pressão? O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?

Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo. E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse. A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.

Na vida e no amor, não temos garantias. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. E nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar."

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Felicidade?


Disse o mais tolo: "Felicidade não existe."
O intelectual: "Não no sentido lato."
O empresário: "Desde que haja lucro."
O operário: "Sem emprego, nem pensar!"
O cientista: "Ainda será descoberta."
O místico: "Está escrito nas estrelas."
O político: "Poder"
A igreja: "Sem tristeza? Impossível.... (Amém)"

O poeta riu de todos,
E por alguns minutos...
Foi feliz!

Felicidade? - O Teatro Mágico
A Sociedade do Espetáculo

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Texto da diva Gloria Kalil :)

Estou tendo dias difíceis. Minhas dores de cabeça voltaram e a faculdade não só voltou com tudo como tem permanecido assim. Não durmo direito, leio um livro atrás do outro (por causa do TCC e de outros trabalhos). Tenho enfrentado novamente as entrevistas que eu odeio fazer... daí você me pergunta: "mas você não quis ser jornalista? Como você escolhe essa profissão se não gosta de entrevistar as pessoas?" E eu te respondo: acho lindo entrevistar alguém, mas eu travo, sou muito tímida. Escolhi jornalismo porque amo fotojornalismo, diagramação e escrever, mas entrevistar alguém pra mim é algo insuportavelmente horrível. Espero superar logo isso.
Também já tem milhões de coisas pra fazer para a faculdade eu voltei a me estressar como há tempos não acontecia. Ah! Também não sei lidar muito bem com críticas, me culpo sempre por tudo e isso é péssimo demais. Hoje eu nem deveria estar na net, mas minha amiga Fê me mandou um texto tão lindo da Gloria Kalil que eu não quero nunca mais esquece-lo, então vim postar aqui! E concordo com cada palavrinha dele, hehe:

Ser Chique Sempre

Gloria Kalil

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje. A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.
Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano. O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.
Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.
Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.
Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.
Chique mesmo é parar na faixa de pedestre É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.
Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar do aniversário dos amigos.
Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.
Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor. É "desligar o radar" quando estiverem sentados à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção a sua companhia.
Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.
Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite! Mas para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos retornar ao mesmo lugar, na mesma forma de energia.
Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não te faça bem.
Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour! Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz!
Investir em conhecimento pode nos tornar sábios... mas amor e fé nos tornam humanos!

XOXO ♥

sábado, 24 de outubro de 2009

Para Fazer um Poema Dadaísta

Essa semana eu separei e upei para a net alguns trabalhos da faculdade do semestre passado. Junto com os trabalhos e anotações, encontrei isso:

PARA FAZER UM POEMA DADAÍSTA
Pegue num jornal.
Pegue numa tesoura.
Escolha no jornal um artigo com o comprimento que pretende dar ao seu poema.
Recorte o artigo.
Em seguida, recorte cuidadosamente as palavras que compõem o artigo e coloque-as num saco.
Agite suavemente.
Depois, retire os recortes uns a seguir aos outros.
Transcreva-os escrupulosamente pela ordem que eles saíram do saco.
O poema parecer-se-á consigo.
E você será um escritor infinitamente original, de uma encantadora sensibilidade, ainda que incompreendido pelas pessoas vulgares.
Tristan Tzara

Eu me lembro perfeitamente da aula de Comunicação Visual em que conhecemos esse poema. Para mim, uma das melhores aulas que tive. E até hoje foi a melhor matéria e o melhor professor que tivemos...