24 de maio de 2017

A necessidade de uma série como Grace and Frankie

Alerta de spoiler das 3 temporadas de Gracie and Frankie

Grace and Frankie é uma das séries mais bem feitas e necessárias da atualidade, por inúmeras razões. Em primeiro lugar, podemos destacar a forte amizade e cumplicidade entre as duas protagonistas, que tem mais de 70 anos. E não pensem que é uma amizade construída durante anos: embora Gracie e Frankie convivessem há décadas, elas apenas se toleravam, até o dia em que seus respectivos maridos as largaram. Com os cartões de créditos cortados por eles, sem ter para onde ir, as duas se veem obrigadas a morarem juntas na casa de praia que os casais compraram em conjunto. A partir daí, a convivência as aproximou e, embora elas tivessem muitos problemas no começo, o fato de que estavam passando pelos mesmos obstáculos as uniu. Com personalidades opostas – Frankie é toda hippie, cultua vários deuses, é simples, mística, usa maconha, enquanto Grace é entojada, ex empresária, bem sucedida, cristã, nunca se envolveu com drogas (até a terceira temporada) a não ser o álcool – as duas mostram que os diferentes podem sim conviver num mesmo espaço e se complementarem, no lugar de se dividirem. Embora a série seja de comédia, as duas não formam aquelas personagens loucas e clichês desse tipo de programa, pelo contrário, mostram um lado maduro de mulheres com idades mais avançadas, que se redescobrem ao se verem sem seus maridos nessa altura da vida e passam a recusar que o número da idade as defina. A sociedade pode até julgá-las incapazes, mas elas sabem quem são e o que podem fazer! No decorrer da série, podemos ver a evolução delas, principalmente no âmbito sexual: a redescoberta da sexualidade, as dificuldades de encontrar produtos sexuais próprios para a idade (a ponto de empreenderem juntas nessa área). Grace and Frankie vem para mostrar que o apetite sexual ainda existe, mesmo depois dos 70 anos. Elas descobrem também que ainda podem e devem viver! Saem para um bar, bebem todas, dançam em cima das mesas, flertam com outros homens e bebem muito - não só no bar, mas todos os dias, em casa também. Martini seco com duas azeitonas é a bebida preferida de Grace. 
Os personagens Robert (ex marido de Grace) e Sol (ex marido de Frankie)
Outro ponto importante da série vem com a homossexualidade assumida e vivida na terceira idade, entre Sol, ex marido de Frankie, e Robert, ex marido de Grace. Dois advogados que esconderam por 20 anos um caso e sabe-se lá por quantos mais suas opções sexuais. Ao assumirem, eles vão também descobrindo juntos como lidar com isso.

Outra questão presente no programa é a adoção. Frankie e Sol não têm filhos biológicos, tanto Nwabudike, quando Coyote são adotados. É assunto pouco explorado ao longo das temporadas, com exceção do episódio em que Coyote conhece sua mãe biológica e no fim admite que Frankie é sua verdadeira mãe. O legal de não se falar da adoção constantemente é que isso nos trás uma naturalidade ao tema. Por que deveríamos falar mais sobre esse ato, se no final das contas, os dois são filhos de Sol e Frankie de qualquer forma? O que muda? O sangue? A gestação? Aqui, faz-se valer o velho e verdadeiro clichê de que “pai [e mãe, acrescentemos] é quem cria”. Achei muito interessante a série abordar com tanta sutileza esse tema e ainda assim chamar a atenção para isso. 
Os irmãos adotivos Bud e Coyote fazendo tranças de alho com a mãe Frankie e seu namorado Jacob.
No quesito mulheres encontramos, além das protagonistas fortes, também as duas filhas de Grace e Robert. De um lado, temos a que escolhe ser do lar e ter quatro filhos (Mallory). Do outro, temos Brianna, que parece ter pavor de relacionamentos sérios, não gosta de crianças e provavelmente não se vê como mãe. Elas mudam muito no decorrer da série e isso nos mostra que ninguém precisa estar no mesmo lugar e com a mesma opinião sempre. Mallory, por exemplo, vê que seu casamento não está mais a satisfazendo. Mas e agora, o que fazer? Ela tem quatro filhos para criar! Será que pais separados não farão as crianças crescerem problemáticas? Talvez seja melhor se sacrificar num casamento sem amor em prol de um bem maior, não é? Não! Ela vai lá e quebra o mito de que mulher tem que aguentar casamento por causa dos filhos e reconhece que, o melhor exemplo que pode dar para as crianças, é ter coragem para se separar, assim como o próprio pai fez. Ela enxerga a felicidade de Robert e quer ser feliz também. E também sabe do erro do pai: demorar 20 anos para se separar da mãe, aumentando o sofrimento de todos. Ela escolhe ser feliz logo e pede o divórcio. 
Mallory ao lado de sua mãe, Grace

Se Mallory sonhava em se casar e ter uma família, sua irmã Brianna é seu oposto e gosta de ser exatamente quem é: uma mulher adulta, solteira, de personalidade forte. Na primeira temporada, vemos Brianna em sua cozinha acompanhada de Bud, que fazia um jantar para um casinho dela. Pois é, Bree não é boa na cozinha, como se espera que as mulheres sejam. Num momento da conversa dos dois, Bud diz que Brianna quer o que todo mundo quer, alguém a esperando quando ela chegar em casa que fique feliz ao vê-la. Para isso, ela responde algo como “verdade, preciso ter um cachorro”. A partir daí, ela não mora mais sozinha: ela adota um cachorro! 
 
Ela chega ao ponto de perder um namorado por ser sincera e dizer que não imagina um futuro com ele. E ela sofre com essa perda, mas mantém sua posição mesmo quando o cara pede demissão do emprego por causa disso (pois ela é chefe dele). Mas depois, nós temos uma cena em que Mallory conta para Brianna sobre seu casamento que está desabando. Ao analisarem o tipo ideal de homem para elas, Brianna percebe que perdeu um partido e tanto com o namorado que dispensou. Ela sente falta dele, então, decide ir atrás. Ela não dá indícios de se arrepender da resposta que deu, apenas quer tê-lo de volta nesse momento. Ele já está com outra pessoa, mas isso não faz Brianna ficar se lamentando. Ela está decidida a lutar por ele. Veja bem: ela se arrepende de ter deixado o cara que realmente se importava com ela ir embora, mas ela também sabe que foi fiel a si mesma na hora em que fez isso. Prova de que ela não mudou suas atitudes em prol de um namoro é que ela fala para Frankie, na última cena em que aparece na terceira temporada, que está convencendo-o a deixar os escrúpulos de lado e transar com ela. Ou seja: ela decide usar sua forte personalidade para tentar reconquistar o namorado (ou tê-lo por uma noite? Saberemos na próxima temporada).

Também na terceira temporada, mais uma questão necessária surgiu, ainda sem desfecho: a namorada de Bud fica grávida, mas podemos perceber que não é um filho desejado no momento.

E se eu ainda não te convenci a assistir Grace and Frankie (ou, se você já assistiu, a reconhecer como essa série é essencial para os nossos tempos), preciso fazer outro adendo: nem tudo são mil maravilhas na terceira idade e a série não foge disso. Temos o ataque cardíaco de Robert, seguido de uma cirurgia que poderia matá-lo. Temos tanto Grace quanto Frankie sofrendo com a coluna travada num dia que tinham que comparecer a uma reunião importante de trabalho. As duas ficam no chão por horas, até decidirem ligar para os ex-maridos socorre-las, levantá-las do chão e alcançarem seus remédios. Aí, elas são obrigadas a mudar a estratégia para a reunião: em vez de presencial, foi feita via Skype, para esconderem os problemas na coluna. Nessa cena, podemos ver Robert e Sol embaixo da mesa onde está o notebook por onde as duas estão fazendo a conferência. Robert alcança uma almofada para Grace ao ver que ela estava sentindo dores durante a reunião. Sol tira rapidamente do campo de visão da câmera frascos de compridos. Alí, eles estavam sendo humanos com elas novamente (vamos combinar que traí-las por 20 anos foi bem desumano, certo?). 

Cena onde Grace e Frankie ficam no chão por causa das colunas travadas
E somos confrontados no final da última temporada disponível com um mini-derrame de Frankie, que mostra que ela já havia sofrido, há dez anos, um derrame mais sério. Frankie fica abalada ao ter que cuidar da saúde, abdicando de alimentos, viagens, passeios de balão, enfim. Vemos esse conflito nela e também sentimos seu medo: o artigo que ela leu (dado por Grace) dizia que quem já teve dois derrames com certeza terá um terceiro. Não se sabe em quanto tempo. Talvez em dez anos de novo ou talvez no dia seguinte. O que será que nos aguarda na quarta temporada? Frankie vai escolher se divertir, comer o que tem vontade, viajar, talvez se mudar para o Novo México? Essa opção faria com que talvez sua vida fosse encurtada, em compensação ela aproveitaria mais a vida e o seu jeito Frankie de ser! Ou será que ela vai optar por se cuidar na alimentação, medir constantemente a pressão, tomar remédios e mais remédios e não viajar, não andar de balão, não mudar para o Novo México e ter mais anos para viver, mas sem aproveitar nada do que ela ama? Será que tem como encontrar um meio termo aí? Veremos na(s) próxima(s) temporada(s)!

22 de maio de 2017

Eu estava no meio de um tiroteio dentro de uma Universidade

Guernica do Pablo Picasso para ilustrar meu sonho porque sim
Eu era caloura em uma Universidade qualquer, que era dividida em blocos de moradias, em cada bloco uma turma específica tipo as panelinhas da época da escola. Eu morava em um dos blocos, mas não necessariamente participava de uma única turma, eu era amiga de todo mundo. Só que havia uma briga muito grande entre essas turmas. E a coisa era feia: tinham mortes, tiroteios, helicópteros caçando pessoas, gente fugindo, se escondendo, atirando. Eu também andava armada e em certos momentos era obrigada, para me defender, a colocar a parte que mira em um dos olhos, alinhar a arma e atirar num alvo. O problema é que descobri que, assim como nos jogos de tiros de videogames (aqueles em que usamos armas falsas) eu com uma arma real sou péssima também. Quanto mais certo eu mirava, mais eu tremia ao atirar. Uma coisa normal em mim: tremer. Outra coisa normal: eu ficar nervosa sob pressão e fazer tudo errado. Só sei que toda vez que eu precisava atirar em alguém, acabava desperdiçando balas para todos os lados. Eu sai atirando para todos os cantos possíveis! E fugir das balas atiradas em mim era um sofrimento que só.

Chorando, tremendo, com o coração quase saltando pela boca, eu tentava me esconder em qualquer espaço disponível. Eu ouvia os barulhos das balas passando há centímetros de mim. Inclusive, me escondi embaixo de uma montanha que tinha no campus, levantando abase como se ela fosse um imenso carpete. Todo o acontecimento foi horrível e a sensação bem real. Principalmente embaixo da montanha-carpete, quando as pessoas tentando se matar começaram a me pisotear. Foi aí, como num clique, que eu percebi que era um sonho. E pensei “caramba, eu viraria uma autora famosa se conseguisse descrever essas sensações em palavras. Meu livro chocaria o mundo, seria premiado!”. Aí tudo ficou mais fácil: eu podia andar pelo campus observando as mortes, os tiros, as ciladas e o principal: não precisava me preocupar em me esconder, se atirassem em mim eu não morreria, era apenas um sonho!

Acordei me perguntando: “e se eu estivesse errada? E se fosse tipo Matrix, se eu morresse no sonho, morreria também na vida real?”. Meu cérebro é pior enquanto durmo ou enquanto estou acordada? 


P.S.: Eu fiquei observando os acontecimentos do sonho, enquanto estava dormindo, para poder escrever um livro (quando acordasse) que seria premiado. Lembro de todo o sonho até esse meu momento “eureca” onde eu seria uma escritora famosa e daí, adivinhem? É, não lembro nada da parte das observações. Por que, vida? Por quê?

16 de maio de 2017

Às vezes, você diz coisas que precisa ouvir






















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