17 de abril de 2013

Navegar é Preciso, de Fernando Pessoa

Poucos poemas/poesias me fizeram parar para ler e refletir em cima. Nunca gostei muito dessa coisa toda. Talvez porque eu associe, por pura ignorância, esse tipo de texto com um punhado de romantismo e nada a mais. Aí que esses dias decidi ler um pouco de Fernando Pessoa. E conheci a poesia "Navegar é preciso". Os primeiros versos já me intrigaram e me fizeram pensar. Digitei no Google; percebi que eu não fui a única que ficou presa nesses versos por uns instantes. Entendi melhor. Li o resto do poema e me identifiquei muito com ele. Reflete um pouco do que estou pensando agora, dessa sede de mudança, de ser útil, enfim. Eu poderia escrever muito mais coisas sobre, mas preciso estudar para a prova de inglês, então, deixo aqui o texto inteiro:  

Navegar é Preciso, Fernando Pessoa 
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: 
"Navegar é preciso; viver não é preciso". 

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou: 

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo. 

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso. 

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade. 

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça. 

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