21 de junho de 2016

História da Moda: IDADE MODERNA

Pode se dizer que a moda (como a conhecemos hoje) nasceu nessa época, com o surgimento da primeira burguesia (nos países protestantes) e com a maior qualidade das matérias-primas.  A França começa, no século XV, a liderar a indústria de moda e 20% de toda a produção do país tinha a ver com roupas. É aqui também que começam a aparecer publicações especializadas em vestimentas.

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Renascimento
Acabava aqui o teocentrismo (Deus no centro de tudo) e começava o antropocentrismo (a valorização do homem e seus dons como centro). A Renascença teve início na Itália, espalhando-se por toda a Europa, entre os séculos XV e XVI.
Há um crescimento do comércio, da indústria e da vida cultural urbana. Por isso, as roupas tornaram-se mais requintadas, com a  fabricação de tecidos de alta qualidade (veludo, brocado, cetim e seda). 

O vestuário masculino era mais colorido e chamativo do que o feminino. A principal peça foi o gibão que podia ou não ter mangas - presas por cordões e escondidas por detalhes almofadados. Por cima vinha uma túnica com abertura frontal. Nas pernas, usavam uma calça bufante. Existia também a braguette (ou codpiece), peça usada por homens para cobrir o órgão sexual, unindo uma perna à outra. Apesar de cobrir, acabava servindo para evidenciar a virilidade de quem a usava. O look era completado com meias coloridas, muitas vezes com uma perna diferente da outra, que diferenciavam os clãs existentes. Os sapatos tinham bicos achatados e largos. 

As mulheres usavam de início decotes profundos que, com o passar dos tempos, foram ficando cada vez menores. Surgiu o rufo, gola feita de um tecido fino e engomado, geralmente da cor branca, adornada com rendas. O rufo formava uma grande roda em volta do pescoço (com o tempo, ganharam tamanhos extravagantes). Era usado apenas por quem possuía um grande poder aquisitivo. Mulheres também usavam vestidos vertugados: rígidos na parte superior, formando um cone da cintura para baixo. As mangas podiam ser longas (de quase tocar o chão) e largas. Com o avançar da história, o vertugado foi substituído pelo farthingale, que era mais largo nas laterais dos quadris, recebendo sustento de arames, barbatanas de baleia ou barbatanas de madeira. O corpete também tinha destaque, que servia, não só para apertar a cintura, mas também para encaminhar o olhar para o órgão sexual feminino. Depois, o rufo evoluiu e se transformou na gola médici, ou seja, não era mais uma roda completa, tinha agora uma abertura frontal que permitia o uso de decotes. As roupas femininas começam a flertar com a sedução.

Para ambos os sexos, surgiu o landsknecht: cortes na camada superior do tecido que deixavam aparecer o de baixo. A moda era bem colorida, até que começou a chegar o hábito de usar roupas pretas, através dos espanhóis (séc XVI).

Os cabelos eram adornados com acessórios de rendas e pérolas, com tranças enroladas.

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Barroco
A moda barroca tem orientação artística, influenciada pela Roma do século XVII. As cortes europeias continuaram cada uma com suas características particulares, variando de país para país, porém, o que prevaleceu nessa época foi o excesso visual. A Espanha continuou usando preto; as rendas foram muito usadas em golas e punhos para ambos os sexos. Agora, o rufo era levemente inclinado para cima na parte de trás.  As mulheres passaram a usar sobreposição de anáguas por baixo das saias, que tinham o formato mais arredondado. Usavam uma camisa curta por baixo e outra muito decotada por cima. O corpete ainda era comum, modelando a cintura. Um acessório feminino facial comum nessa época foi a mouches de beauté (mosca de beleza), que simulava pintas, feita com seda preta e material colante.  Os tecidos eram luxuosos e caros e a cartela de cores era dominada pelo vermelho-escarlate, vermelho-cereja, azul-escuro e tons claros de rosa, azul e amarelo.

Os cabelos das mulheres eram ajeitados de maneira que parecessem despenteados, ligeiramente amarrados com fitas, que depois foram substituídas por rendas, toucas e estruturas de arame. 

Os homens usavam gibão com botas adornadas com rendas. Na cabeça usavam chapéus. Depois, os cabelos longos viraram moda para os homens e alguns passaram a usar perucas. Neste momento eles passaram a se vestir novamente com mais destaque do que as mulheres. No fim do século, passaram a usar um lenço rendado no pescoço que lembrava muito uma gravata.

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Rococó
A moda estava associada ao do rei Luís XV. O uso da renda manteve-se; homens continuavam a usar perucas (de crina de bode e cavalo ou de fibras vegetais) empoadas com pó branco e rabo-de-cavalo preso por fita de seda preta. O chapéu tricórnio também aparecia bastante nos penteados. 

Mulheres usavam muitas flores, naturais ou artificiais, tanto nas roupas como nos cabelos. Os corpetes continuavam e os vestidos tinham um decote quadrado, com magas até os cotovelos, sendo finalizadas por babados, rendas e laços. As saias eram volumosas. Haviam dois tipos predominantes de vestidos: os Abertos (tinham um recorte na parte da frente, deixando aparecer a saia de baixo, que era muito ornamentada) e os Fechados. Na parte lateral dos quadris havia um grande volume, obtido por cestos feitos de vime, chamados de paniers. Na parte das costas, os vestidos muitas vezes tinham pregas largas, que iam dos ombros até o chão, denominadas de Watteau

Os homens vestiam neste período calção, camisa, coletes e casacas bordadas, meias brancas e sapatos de salto. Em 1774, Luís XVI subiu ao trono e Maria Antonieta tornou-se rainha da França – o que trouxe grande mudança para a moda. Se os penteados das mulheres eram inicialmente baixos, logo tornaram-se grandes, chegando ao extremo exagero de proporções e adornos. Para o volume, eram usados enchimentos de crina de cavalo por baixo do próprio cabelo. Os enfeites variavam entre cestos de frutas, caravelas, moinhos de vento, borboletas, animais, etc. 

Mais para o final do período, os decotes se aprofundaram e os paniers cresceram tanto que uma mulher só conseguia passar pelas portas se ela fosse aberta em duas partes. Esse período teve fim com a Revolução Francesa, quando o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta foram mortos na guilhotina em praça pública.

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