4 de fevereiro de 2012

Um casamento chamado amizade

Dia desses eu li essa reportagem aqui que eu descobri em um post do Don’t Touch My Moleskine. Fiquei pensando: será que certos amigos que eu perdi, aqueles que de repente começaram a se distanciar (e muitas vezes eu até insisti na amizade, sem sucesso) não PLANEJARAM terminar nosso relacionamento? Será que foi mesmo aquele papo de “nossas vidas seguiram caminhos diferentes” ou foi algo mais elaborado? Nunca antes havia pensado na amizade como um quase-casamento. Mas agora vejo que talvez o jeito certo de ser amigo é justamente esse: se está fazendo bem para ambas as partes, ótimo. Mas se não, o correto mesmo é se afastar, afinal, um pode acabar atrapalhando a vida do outro (sem nem mesmo perceber).
Outro fator importante que leva a amizade a ser um quase-casamento é a sinceridade. Confiança é fundamental para qualquer tipo de relação. Talvez seja esse o motivo de tanta dor quando se perde um amigo: seus segredos estavam com ele, era com ele que você desabafava, era ele seu porto-seguro. E claro, era dele que você sempre ouvia o que mais precisava ouvir.
 

Eu sempre achei a palavra amizade forte, sempre acreditei que amigos de verdade devem estar juntos na diversão, mas também na fossa. A amizade só é verdadeira quando você pode abrir seu coração para a pessoa. Para mim, amigos podem e devem aconselhar, dar suas próprias opiniões, mas jamais julgar. Assim como em um casamento, a individualidade deve ser respeitada. Se você não concorda com as ideias do seu amigo deve mesmo assim respeitá-las. Ou então aí pode estar um sinal de que se deve cair fora da relação. Com certeza vai existir alguém que compartilhe das suas idéias em algum lugar.
No meu ver, amizade é aceitação. A gente procura trazer para nossa convivência quem nos aceite. Já lidamos em nosso dia-a-dia com muitas pessoas nos criticando (cliente chato, chefe, professores e até alguns familiares). Então porque diabos eu iria procurar um amigo-sou-dono-da-verdade?
Mas a vida me ensinou que nem sempre o amigo é aquilo que você espera que ele seja. E eu, enquanto amiga, também acho que não sou bem aquilo que os outros esperam.


E a partir desse texto do New York Times, pude perceber que talvez esteja na hora de fazer uma listinha de pessoas para rebaixar ao “coleguismo” o que antes era amizade. Ou até mesmo dar chance para outras pessoas transformarem-se em amigos (incluindo alguns dos atuais colegas). Ou então me esforçar mais para manter os poucos amigos bons. No final das contas, amizades, assim como os amores, vêm e vão. E entre tantas semelhanças com um casamento ou namoro, ela não deveria ser tratada diferente (principalmente a parte do término – onde deve se trabalhar para magoar o mínimo possível o outro. Isso se você não fizer parte do lado que está sofrendo com o “pé-na-bunda” – é, acho que podemos chamar assim).


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O tempo de mudanças na minha vida não está só em torno de amizades. Mas de muiiitas outras coisas. Faz bem! :)

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