16 de junho de 2018

Resenha: A Livraria Mágica de Paris de Nina George

Livro A Livraria Mágica de Paris - resenha
Terça-feira, dia 12 de junho de 2018, 02h56 da manhã, dia dos namorados e eu acabo agora a leitura de A Livraria Mágica de Paris. Estou encantada. No início, parecia ser apenas mais um livro bem escrito, cheio de descrições, desses que te fazem sentir cheiros, lembrar-se de situações específicas, imaginar cores e texturas ao ponto de conseguir se transportar para o meio do mar, para Paris e depois para Sanary-Sur-Mer. 

Mas isso foi só o começo, que apesar de delicioso, ainda me parecia normal. Logo, começa uma reviravolta. E lá pela metade do livro, dou de cara com a frase: “Agora. Existe apenas o agora. Faça isso já, covarde. Respire embaixo d’água de uma vez por todas” e, no contexto em que ela estava empregada, me serviu como um soco no estômago e um forte tapa na cara. Me fez refletir minha própria situação. Em paralelo à essa frase (que ia e vinha na minha mente durante a leitura), acompanhei todo o sofrimento do livreiro, ou melhor, do farmacêutico literário Jean Perdu. Chorei com ele. Viajei com ele. Quis cuidar de seus dois gatos Kafka e Lindgren. Quis ter um barco chamado Lulu que possui, dentro, uma Farmácia Literária. Aliás, quero ser farmacêutica literária, será possível? Mesmo sem um barco Lulu? Mesmo vivendo em uma cidade que fica bem distante do mar? 

Pessoas precisam de livros para curarem suas almas. Eu mesma, apesar de ter ajuda médica, só consigo amenizar os ferimentos da alma por meio de livros. E A Livraria Mágica de Paris foi um respiro para mim. Desses que a gente precisa ter, sabe? Profundo, calmo. Quando você tem esse respiro, você sente-se bem, relaxada, pronta para tomar decisões mais racionais, pronta para colocar os pingos que faltam nos i’s. Esse livro me surtiu mais efeito porque tem Max Jordan, um personagem que é escritor. O livro mostra seus problemas e dilemas, inclusive com bloqueio criativo, e eu acompanhei como alguém que vive algo parecido e era nessas horas que lá vinha a frase que me atormentou durante toda a leitura de novo: “Agora. Existe apenas o agora. Faça isso já, covarde. Respire embaixo d’água de uma vez por todas”. 
 
Livro A Livraria Mágica de Paris - resenha


Os anexos, depois do fim da história, são também outro presente de A Livraria Mágica de Paris. Enquanto lia, parei em determinado momento para pesquisar a receita de Ratatouille. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com ela no final do livro? Além de Ratatouille, outras receitas da história estão presentes nos anexos. E não tem como não ficar com água na boca e com vontade de saborear os pratos junto com os personagens, vai por mim. Minha única pesquisa de receita saída de livro no Google anteriormente tinha sido “como fazer cerveja amanteigada”, como boa Pottermaníaca que sou, pra vocês terem ideia de como esse livro desperta sensações fortes! 

Outra parte importante dos anexos são as recomendações de livros da Farmácia Literária de Jean Perdu. As doses devem ser de 5 a 50 páginas, para serem bem aproveitadas. Por mais difícil que seja não devorar o livro, essa também é a maneira certa de se ler A Livraria Mágica de Paris. Esse é um livro para se sentir, para aproveitar com calma, para viajar junto com os personagens, para chorar, sofrer, secar as lágrimas, refletir, crescer, se libertar e querer viver junto com Perdu, Max Jordan e os outros personagens. Fazia tempo que eu não parava para deliciar um livro assim e provava junto esse tanto de sensações diferentes. 
 
Livro A Livraria Mágica de Paris - resenha


E a quem possa interessar, aqui explico a história por trás da frase “Agora. Existe apenas o agora. Faça isso já, covarde. Respire embaixo d’água de uma vez por todas”. Jean Perdu, desde o início do livro, nos conta que quer escrever um manual para futuros farmacêuticos literários. Mas ele nunca começou a escrever. Em certo momento do livro, ele está acompanhado do escritor Max Jordan e rola o seguinte diálogo, iniciado por Max: 

“- O senhor acha que, se eu comer algo estragado, consigo sonhar com uma história?
- Quem sabe?
- Dom Quixote também foi um pesadelo antes de se tornar um clássico. O senhor já sonhou com algo útil?
- Que eu podia respirar embaixo d’água.
- Uau. E o senhor sabe o que isso significa?
- Que, em sonho, posso respirar em baixo d’água.
Max repuxou o lábio para cima como uma risadinha de Elvis. Em seguida disse, solene:
- Não. Significa que seus sentimentos não tiram mais seu fôlego. Principalmente os mais profundos.”

(Trecho da página 120 de A Livraria Mágica de Paris)

A conclusão mais óbvia é que existem livros que realmente são remédios. E A Livraria Mágica de Paris, inclusive, é um deles.

Ficha Técnica
Título: A Livraria Mágica de Paris
Autora: Nina George
Tradutora: Petê Rissatti
Editora: Record
Ano: 2018
Páginas: 308

Um comentário:

  1. Gostei da sua resenha, fiquei curiosa pra ler :)

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

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