10 de agosto de 2016

A regra das roupas (ou o que você não deveria fazer na hora de se vestir)


"Morro de vontade de usar tal roupa, mas ela não me favorece". Eu te pergunto: não te favorece por qual motivo? Ela te deixa com calor? Te deixa passar frio? Ou é só porque alguma pessoa que você não faz ideia de quem seja, disse um dia que determinados corpos não poderiam usar determinadas roupas? Pensa comigo, isso é surreal! Você nunca deve ter provado aquela blusa de listras horizontais porque alguém, em algum momento, disse que essa era a regra, que isso te engordava. E você acreditou. Comprou essa ideia e nunca se permitiu provar para ver qualéquié. E veja bem, com isso não estou discordando que existem ilusões de ótica, que linhas horizontais dão a sensação de amplitude, que certas cores nos ofuscam e que outras nos deixam em primeiro plano. A gente sabe que essas coisas existem e que pessoas estudaram muita comunicação visual para ter propriedade de afirmar isso. Eu só quero dizer que você não pode dispensar uma roupa que pode transmitir seu gosto, sua personalidade, seu humor, porque alguém mostrou que ia modificar a maneira como as pessoas enxergam seu corpo. Porque no fundo, ninguém devia estar nem aí para o que os outros veem ou acham que veem. Sou a favor de encarar cada furinho de celulite que pode ser escondida com calça mais solta ou com cores escuras, como marcas que significam que você viveu aquilo! Se eu tenho estrias, pode ser porque em alguma época comi demais por causa de um transtorno alimentar e engordei, depois emagreci, depois engordei de novo. Pode ser que passei por uma gravidez. Pode ser porque amo comer muita gordura. É MINHA HISTÓRIA e eu não deveria me envergonhar dela. Xô te contar: todo mundo tem estrias, celulite, um culote maior aqui, um seio pequeno disfarçado com enchimento alí, uma barriga apertada por uma cinta lá...

E ME DIZ UMA COISA: por acaso as pessoas que valem realmente a pena não sentem de alguma forma suas curvinhas ou a falta delas? As pessoas que viajam com você não te veem seminua na praia? Quando tá muito calor você não mostra suas pernas? Quando você engravida não deixa as pessoas acariciarem sua barriga? Quando você abraça alguém não deixa essa pessoa circular sua cintura com os braços e mãos? ENTÃO POR QUE VOCÊ ACHA QUE PRECISA ESCONDER SEU CORPO DAS PESSOAS se aquelas que realmente importam te sentem, te veem, te tocam, sabem como você é?

A gente devia mesmo é se aceitar como é. Encarar o nosso corpo como uma dádiva dos céus, que nos foi dada para moldar nossa história. Que as marcas são como as cicatrizes da infância: prova que a gente viveu, se divertiu, curtiu. Que os pneuzinhos são excesso de gostosura. Ou que a saboneteira e os ilíacos saltados provam que a gente existe, vive, que tem ossos que nos sustentam pra gente fazer o que quiser com o próprio corpo!


Nos primórdios, as roupas surgiram para nos cobrir e nos aquecer. Depois passou a dar indício do nível social e hoje é usada também para mostrar ao mundo quem somos. Pare de se esconder no preto quando sua personalidade é toda colorida como o arco-íris! Pare de usar determinada estampa porque aumenta ou diminui o seio. Use o que te der vontade, o que você achar que te representa e que te faz alegre. Faça suas próprias regras e não ligue para o que o outro está pensando de você. O que importa mesmo é como VOCÊ se vê.

E na próxima vez que você gostar de uma roupa na arara, pegue e corra para o provador. O máximo que pode acontecer é você não gostar dela. Aí é só devolver e provar outras opções. E se bater a dúvida, é só colocar no rosto seu melhor sorriso com qualquer roupa que faça você sentir-se confortável. É infalível.

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