9 de outubro de 2014

A Moda e o corpo

Algumas coisas me fizeram refletir sobre a moda e o corpo que a veste nesses últimos dias. O disparo inicial foi esse vídeo, que encontrei no blog da Consuelo Blocker, filha de Costanza Pascolato. Claro que todo mundo sabe quem é a jornalista Regina Guerreiro, ex editora da Vogue. Pois é dela a autoria do vídeo chamado "Bonecas à beira de um ataque de fome", que me chamou atenção pelo nome. Embora mostre um conteúdo interessante e real sobre a história da moda, os padrões de beleza e sobre a estética da magreza de acordo com a história, não pude deixar de rejeitar o vídeo. Como assim comer manteiga é pecado? Gente, para vai. Não existem comidas ruins! Tudo que é em excesso faz mal, óbvio, mas elevar ao status de pecado qualquer coisa que seja de comer me tira do sério.

Ao falar sobre as mulheres magras e soltar frases como "socorro, os homens só querem sair com elas" ou "nós, as outras,  temos que sobreviver sem pizza, sem chocolate, sem sorvete, sem creme chantilly. As gorduxas, tadinhas, não podem nem ter o prazer de morrer na praia" me dá um ataque de nervos. QUEM FOI QUE DISSE QUE MULHER TEM QUE VIVER SEM COMER PRA SAIR COM MACHO? Onde tá escrito que mulher que está acima do peso não pode ir a praia ou tem o corpo feio? A indústria da moda propôs isso, mascarou isso, vendeu isso, empurrou isso pra gente, criando inúmeros transtornos psicológicos e alimentares. E a gente fez o que? Disse "amém". É.
Regina termina dizendo que o visual que separa as pernas, nova obsessão entre as adolescentes, é tenebroso. Parem tudo novamente! Não se pode ser gorda e nem magra! Vamos ser o que então? Até quando vamos nos definir pelo tamanho do nosso corpo, dos nossos braços, pela grossura da perna, pelas dobrinhas a mais, pelo negativismo das barrigas, pelas canelas super finas ou os quadris enormes? A gente é mais do que um corpo, sendo ele gigante ou pequenino. Corpo é nosso instrumento para construirmos nossa obra de arte e não a obra de arte em si. Tanto faz se a pessoa é gorda, magra. TANTO FAZ! Ninguém deve e nem merece ser medido por isso. Merecemos ser reconhecidos pelo que fazemos, por nosso caráter, atos e conquistas. Use a moda a seu favor, e não como um mandato de prisão, por favor.

Eu, como estudante de moda, acredito que roupas e acessórios devem ser uma arma para expressar quem somos, nossa personalidade, humor, e até para aumentar nossa autoestima, pois escolher roupa é para muitos uma terapia e faz a mulher se sentir poderosa. Acho uma pena uma indústria que poderia ser tão libertadora, infelizmente, ter esse histórico triste.
 
O segundo link que me fez repensar a moda nos dias atuais foi esse texto, publicado na página Moda da Depressão.
Hoje em dia as informações são mais publicidade do que jornalismo mesmo. É jabá daqui, jabá de lá (já dizia meus estudos na época de TCC). É gente se sentindo a última bolacha do pacote porque pode vestir roupas caras (na maioria das vezes que ganhou da marca X). É gente se autopromovendo. É moda sem pensar, sem sentir, sem expressar nada, sem informações verdadeiras, só pelo falso prazer de usar roupinha de marca, ter uma fotógrafo profissional do lado e mostrar todo o glamour que é sua vida perfeita (é tudo máscara, viu, gente? Ninguém é 100% feliz, nem mesmo Gisele Bundchen, garanto).
E por último, para comprovar como a própria mídia que cobre eventos de moda está bem desinformada, vale a pena o clique no mais fantástico texto que li nos últimos dias: "Me vesti como uma idiota na Fashion Week para descobrir se é fácil aparecer num blog de moda". Adivinhem o que a autora do texto constatou? É isso mesmo que você está pensando: pode usar qualquer trapo, qualquer objeto, qualquer look estranho e louco e dizer que é de qualquer marca famosa, que é produto vintage. Tá liberado. Ninguém quer saber a real, ninguém se interessa pelo seu look. É diferente? Então deve ser real, deve ser foda, deve ter gastado grana, deve ser patrocinado.

Depois desseas informações, cheguei a seguinte conclusão: hoje em dia, todos amam a moda sem saber o que a moda é. Todos querem falar, sem nem saber do que estão falando. Viramos idiotas consumindo idiotisses, comprando qualquer porcaria, achando que só vamos ser bons quando tivermos o corpo mostrado na revista Y, ou igual ao da modelo X. Ou quem sabe quando parcelarmos em mil vezes no cartão o vestido da marca W, ou conseguirmos muitos acessos no Instagram e conquistarmos a publi tão desejada da marca J. Ler de verdade? Entender a história? Estudar? Se vestir para você? Refletir? Comprar consciente? Se amar antes de se ridicularizar? PRA QUÊ, NÃO É MESMO?

Indignação define.

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