19 de novembro de 2009

Crítica: Sociedade dos Poetas Mortos

O homem, muitas vezes, deixa para trás seus reais objetivos para respeitar o que é imposto pela sociedade. Esquecemos que não somos escravos do relógio e que precisamos ter tempo para sonhar. Por medo, deixamos de nos arriscar. Para agradar aos outros, deixamos de buscar nossos próprios ideais. Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society) vem para incentivar a busca pela liberdade. O filme, de 1989, dirigido por Peter Weir, mostra as relações de um professor de inglês, John Keating (Robin Williams), com uma turma de jovens rapazes. A história se passa em 1959, em Welton Academy, uma escola preparatória dos Estados Unidos, com um sistema rígido e conservador.
O antigo professor de inglês se aposentou, e logo no início, os alunos são apresentados ao novo mestre. Keating quebra as propostas educacionais da escola, incentivando os alunos a buscarem outros valores para suas vidas, destruindo as barreiras que lhe são impostas.
No início do filme, alguns alunos carregam quatro bandeiras, cada uma com uma palavra que ditam as regras da escola: tradição, honra, disciplina e excelência. Após a cerimônia que dá início as aulas, os alunos se dirigem a seus quartos, e então podemos conhecer melhor Neil Perry (Robert Sean Leonard), uma das principais personagens da história. Ele é um garoto totalmente submisso ao pai, sendo capaz de largar seus sonhos para não desobedecer seu superior. Neil divide o quarto com o tímido Todd Anderson (Ethan Hawke), um aluno novo na escola. Todd carrega o peso de ser irmão de um estudante que foi o primeiro de sua turma: Jeffrey Anderson. Talvez seja por isso que ele se revela tão inseguro durante o filme. Na sequência, Charlie Dalton (Gale Hansen), Knox Overstreet (Josh Charles) e Steve Meeks (Allelon Ruggiero), amigos de Neil, se juntam aos dois, no quarto. No meio da animada conversa, os garotos ironizam os quatro pilares: paródia, terror, decadência e excremento. Além disso, se dirigem à escola como “Hellton", uma divertida mistura das palavras Welton, e hell (inferno).
Pelas cenas seguintes, podemos perceber o quanto as aulas são difíceis e cheias de tarefas. Porém isso começa a mudar com a primeira aula de John Kieting. Ao se apresentar para a classe, também chama a escola de "Hellton". Então, conta aos alunos sobre a expressão "Ó capitão! Meu capitão!", retirada de um poema de Wal Whitman, sobre Abraham Lincoln. "Vocês podem me chamar de Sr. Keating, ou os mais audaciosos podem me chamar de Ó capitão! Meu capitão!". Essas frases causam estranheza nos alunos, tão acostumados com o jeito conservador dos professores.
Continuando sua aula, Keating leva os alunos para fora da sala de aula e usa o termo em latim, Carpe Diem (aproveite o dia) para representar o trecho "pegue seus botões de rosa enquanto pode", retirado do poema "Às virgens, aproveite a vida”. Mostra também, fotos de alunos antigos e afirma que eles passam uma mensagem: a de "aproveitar o dia" e "tornar suas vidas extraordinárias”.
Em suas aulas seguintes, John começa a mostrar aos rapazes o lado humano da poesia. Isso é reforçado, quando ele pede para que os alunos leiam o texto "Entendendo a Poesia" de J. Evans Pritchard, P.h. D. Ao terminar a leitura, Keating solta apenas uma palavra: "excremento" e diz que essa é sua opinião sobre o texto. Manda, então, que os alunos rasguem essa página do livro junto com toda a introdução, na intenção de que tudo o que estava escrito possa se tornar algo do passado.
Curiosos com os métodos de lecionar de Keating, os alunos procuram seu anuário na biblioteca. Ao encontrar, descobrem que o professor fazia parte de um grupo chamado Sociedade dos Poetas Mortos, em sua época de estudante. Perguntam sobre tal sociedade ao professor e descobrem que os Poetas Mortos eram um grupo de garotos que se reuniam a noite, em uma caverna, para ler Thoreau, Whitman, Shelley e os grandes nomes da poesia. Os rapazes liam também seus próprios versos. Neil se interessa e convida seus amigos a formarem um novo grupo da sociedade.
As reuniões eram secretas e a vida dos garotos começou a ser direcionada através da filosofia "carpe diem". Knox se apaixona por uma garota comprometida com o filho de um amigo de seus pais. Neil contraria seu pai, participando de uma peça de teatro.
O espetáculo encenado por Neil, é "Sonho de uma Noite de Verão", de William Shakespeare. Ele se esforça ao máximo, deixando a cena emocionante. O pai de Neil comparece a peça, mas não para assisti-lo e sim para buscá-lo. Sob a pressão de sempre fazer o que lhe é exigido, Neil vai para casa, tendo em mente que se saiu bem atuando. Sobe para seu quarto e então, começam as cenas que mais nos deixam apreensivos. Um silêncio toma conta da tela, o que acaba causando em quem assiste, uma certa tensão.
Um escritório, uma mesa, uma gaveta, uma arma, um tiro. Essa é uma das cenas mais marcantes do longa metragem. A morte em troca da liberdade. A descoberta dos Poetas Mortos. A triste expulsão forçada, pela própria escola, do professor Keating.
O filme termina quando o novo professor de inglês, Sr. Nolan, faz os alunos lerem novamente o texto "Entendendo a Poesia". John entra para pegar seus pertences e, então, em um gesto de respeito e admiração, os alunos se levantam e sobem em suas carteiras. Liderados por Todd Anderson, a frase final do filme é "Ó capitão! Meu capitão!", seguidos por brados de Nolan, na tentativa de contê-los.
O filme nos passa, em sua rica história, roteirizada por Tom Schulman, uma mensagem sobre liberdade. Embalado pela música de Maurice Jarre, o longa é marcante por conter fatos tão comparáveis aos dias atuais, tendo em vista que os métodos de ensino nas escolas são impostos, ora pelo governo, ora pelos diretores do lugar. As rodas de discussões entre alunos quase não são feitas, a opinião do aluno quase nunca é contada e as aulas são sempre a mesma coisa, sem nenhuma inovação.
"Pegue seus botões de rosa enquanto pode. O tempo está voando. A estas horas, flores que hoje riem, amanhã estarão mortas”

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