13 de abril de 2017

O que NÃO ler: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band


Eu sei que muitas pessoas amaram esse livro, então quero lembrar que o texto abaixo reflete minhas impressões pessoais sobre ele e apenas isso.


Quando encontrei o livro Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band – Um Ano na Vida dos Beatles e Amigos, de Clinton Heylin, por uma pechincha de R$ 10 numa livraria da minha cidade, achei que tinha feito um achado e tanto! Eu, que amo biografias. Eu, que amo os Beatles. Eu, que tenho como um dos álbuns preferidos da vida Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Primeiro ponto negativo: O título remete ao álbum, o subtítulo já sugere outra coisa. Confesso que levei mais fé no título e achei que a promessa do livro era mostrar as inspirações para as músicas, como cada uma foi escrita e por quem, dissecar as gravações do disco e talvez nos dar os parâmetros do lançamento. Mas não. Isso até acontece de forma rápida lá da metade para o final do livro. O começo, embora interessante, mostra mais sobre outros artistas da época (Beach Boys, Pink Floyd, Cream, Bob Dylan, etc) do que os próprios Beatles. Eu aprendi na faculdade de Jornalismo que quando o título fala algo ele vende uma promessa, que PRECISA ser cumprida no texto. Esse livro não cumpriu exatamente o que prometeu, pelo menos para mim.

Segundo ponto negativo: Descobri que, segundo Heylin, grande parte dos problemas do John com drogas vieram do fato dele ser pai muito cedo. Que dó do Lennon, não? Como era difícil ser pai nos anos 60! Uma bela desculpa para se jogar nas drogas. Aliás, o livro todo enfatiza muito o uso de drogas pelos integrantes das bandas daquela década.

Terceiro ponto negativo: Comentários de gosto duvidoso como Clinton faz sobre o Grateful Dead: “Sua única esperança era levar consigo os mortos de fome que frequentavam seus shows no Filmore (...)”, referindo-se aos fãs da banda. Me pergunto se Heylin estava lá para saber que eles eram “mortos de fome”. Outra opinião do autor: “(...) no caso do Channel 4, o fato de os `espectadores’ não se lembrarem de um único álbum de Dylan entre os cinquenta melhores de todos os tempos sugere que estamos lidando com o mesmo bando de retardados que considera Guerra nas Estrelas um filme melhor que Cidadão Kane”. Eu amo Cidadão Kane, mas também amo Guerra nas Estrelas. Acredito gosto é algo muito pessoal e ambos os filmes possuem suas peculiaridades e genialidades. Também acho bem injusto compararmos uma saga com um único filme. São histórias diferentes, gente!

Clinton é fã assumido de Dylan e aproveitou para puxar o saco do cantor durante todo o livro. Tudo bem que Dylan é realmente incrível, mas achei que faltou separar mais as coisas, afinal, era um livro sobre os Beatles e não para elogiar desenfreadamente a carreira de outro cantor. Não li nenhum material escrito por ele sobre Dylan, mas sei que existe. Será que Clinton elogia a todo momento a Fab Four por lá?

Quarto ponto negativo
: O livro não tem um final bem estruturado. Ele simplesmente acaba, sem uma conclusão do autor. Aliás, acaba em uma citação (dessas no estilo ABNT, com amplo espaçamento à esquerda) de Paul McCartney. 
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É raro eu não gostar de um livro, mas esse eu me pergunto como consegui chegar até o final. Não quero desmerecer o grande trabalho de pesquisa bibliográfica que o autor fez. Ele inclusive trouxe pontos interessantes que eu não conhecia, como o mercado de bootlegs internacional, que encontrou uma brecha nos termos da gravadora dos Beatles para lançar por fora takes e músicas da banda. Mas nem sempre muita pesquisa resulta em um livro bom, bem escrito e com opiniões respeitosas. Fica aí como dica do que não ler.

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