3 de fevereiro de 2010

Platônico, mais do que eu deveria sentir ♪

Ela sempre odiou acordar cedo para ir à escola, mas houve uma época em que o horário não a irritava. Entrava no colégio e ficava parada no topo da escada, vendo os vários alunos subirem. Cumprimentava um ou outro amigo, dando desculpas de que esperava alguém para não ter que sair dalí. A desculpa servia também para ficar sozinha e não perder a concentração nos demais alunos que por alí passavam. Certa vez, até se atrasou para a aula, levando um xingo do professor. Mas ela nunca ia para a sala de aula sem antes ter visto ele. Aquele garoto mexia com ela, fazendo as famosas borboletas sacudirem freneticamente as asas em seu estômago.
No intervalo, puxava a melhor amiga até a fila da merenda. Não que comesse algo na escola, isso ela nunca fazia. Mas porque ele lanchava por lá. Perseguia-o disfarçadamente até o bebedouro, a biblioteca, as mesas em que os garotos mais velhos jogavam truco ou a porta da sala de aula. E foram tantas as vezes que ela se atrasou para assistir suas próprias aulas, só para ficar alguns minutos a mais admirando-o.
Na hora da saída, desviava seu caminho para casa, só para vê-lo mais um pouco. Era o caminho mais longo, mas isso não a importava. Quanto mais tempo pudesse olhar para ele, mais ela passava o restante do dia feliz.

Pois é, dizem por aí que o primeiro amor a gente nunca esquece. Não concordo tanto com essa teoria. Mas devo admitir que o primeiro amor platônico, ah, esse sim a gente NUNCA esquece!

Um comentário:

  1. Eu tive tantos amores platonicos, cada um guardo em um lugar especial, alguns deles é engraçado recordar.

    Beijos linda!

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